ÉS: Estros, Esquissos e Estampas
És... de SER (como pessoa), és de EStro (a minha poesia), de ESquisso (esboços dos meus pensamentos), de EStampa (as minhas fotografias) e obviamente...És de ESposende (a terra que me acolheu)
Anjo Sol
Sofia rima com Alegria
Incessante caminho escuro
Incessante caminho escuro
De pedra e cascalho solto
Olho para trás, não volto
Sigo em frente até um muro
Tamanho esforço até ao momento
E deparando-me com esta barreira
Preciso de algo como alento
ou de repouso numa esteira?
A vida segue-se em frente
Sem lhe desviar o olhar
Porque um dia de repente
o último suspiro irei dar.
Aproveito então o caminho
Seguindo ao sabor da maré
De mão dada à Nazaré
Pois assim não vou sozinho
Maio 2022
Temos desempregados e temos trabalho para muitos deles...
Retomo a minha atividade neste blog com um esquisso sobre um tema atual.
Realizou-se em Albufeira à dias atrás o 32º Congresso de
Hotelaria e Turismo, reforçando este setor como fundamental para a economia do
nosso país. Foi lançado o tema da dificuldade de captar trabalhadores para
estas áreas sendo que o setor estima uma necessidade de cerca de mais 15mil
trabalhadores. Pasmem-se que o setor está a estudar a possibilidade de recrutar
trabalhadores a Cabo Verde e Filipinas e o nosso ministério do trabalho está a
estudar a forma de o fazer.
Então vamos lá refletir em conjunto…
Somos um país que tem, segundo o INE, em Setembro de 2021
uma taxa de desemprego de 6,4% com cerca de 318 mil desempregados. Ou seja,
temos 318 mil pessoas em idade ativa para trabalhar e que estarão na grande
maioria a receber subsidio de desemprego e/ou outro apoio pela falta de
rendimentos. O setor oferece 15 mil postos de trabalho e tem de ir procurar
fora do país? A realidade é que para a maioria dos desempregados nacionais
compensará ficar em casa sem trabalhar e auferir destas prestações sociais sem qualquer
responsabilidade. Não teria o governo a obrigação de regular estas prestações
para que os seus beneficiários tivessem que prestar colaboração (nem que fosse
a tempo parcial) numa instituição, numa repartição do estado, num município…
retribuindo à sociedade parte do que a sociedade lhes dá? Por esta ausência de
obrigações é que há a dificuldade de empregar em especial neste setor que
por natureza é trabalho sazonal e tem salários baixos. Não seria preferível que
o setor recebesse uma parcela destas prestações e empregasse com um salário
mais apetecível? Teríamos certamente menos desempregados, menos beneficiários
de prestações sociais, o estado reduziria a despesa e não tínhamos trazer mão
de obra do estrangeiro.
Poesia
Esta forma de exprimir
Sentimentos adversos,
Não conseguindo eu fugir
Maioritariamente fazê-lo em versos.
São palavras que rimam,
Nesta forma de pensar,
Não é aquilo que imaginam
Conseguir fazê-las rimar.
Do coração saem sentimentos
Da mão a tremida escrita,
Do cérebro o pensamento
Daquilo em que se acredita.
Estes versos que se escrevem,
Para aliviar o coração,
São linhas que outros temem
Por lerem “verdades... ou não”.
Escrito no Outono de 1997
Covid 19
Ai este Covid 19,
Pandemia silenciosa
que apressadamente se move
espalhando-se lutuosa.
Mascaradamente protegido,
distanciamento social
e este sorriso sumido
por um tempo sem igual.
Expedito a desinfectar
quanto tocar com a mão
estico o cotovelo no ar
aperto de mão é que não.
Pausaste o planeta
fazendo-o respirar de novo
longe ainda de uma meta
suficiente para seu povo.
Uma vaga, duas vagas...
o que importa afinal?
A saúde que esmagas
ou economia mundial?
13/09/2020
O Amor
O
amor,
é
algo que dói, sem se querer ter dor,
é
algo que nos faz sonhar,
é
algo que nos faz acordar.
O
amor,
é
algo que dói, sem se querer ter dor,
é
algo que nos faz sofrer,
faz-nos
pensar que de saudades vamos morrer.
O
amor,
é
algo que dói, sem se querer ter dor,
é
algo que nos apoquenta,
é
algo que por vezes, não se aguenta.
O
amor,
é
algo que dói, sem se querer ter dor,
…mas
não tem só este tom,
o
amor…também é bom!
Escrito em 2000
Mundo irrequieto
Muitas voltas dá o mundo.
Quando irá ele parar?
Daqui a uma hora, um segundo,
ou quando o sol acabar?
Que futuro nos espera?
Que solução a encontrar,
para esta bola, esta esfera
que não pára de girar?
São coisas que são e depois não são,
são coisas que aparecem e desaparecem,
são pessoas que morrem
e outras que nascem.
São pássaros que voam,
são as águas que correm,
são as nossas vozes que entoam
e... que de rouquidão morrem.
Não pára este irrequieto!
Não pára um segundo.
É agitado não pára quieto.
Para onde vais tu, meu mundo?
Escrito em 1996
Além
Movimentada esta vida!
Feita de momentos atarefados,
em que cada segundo
parece de um minuto sem saída.
Já se está de partida
após instantes passados.
Irrequieto este mundo,
Para onde será sua ida?
E nós que o percorremos,
vinte e quatro horas sem fim,
para onde iremos também?
Será até morrermos?
Haverá outro mundo assim?
O que existirá no Além?
Escrito em 4 de Julho de 2005
Cai a noite
Cai a noite,
vai-se o sol e surge a lua,
e com esta sombra nocturna,
a minha vida fica nua...
Despida de trabalho,
despida de colegas e amigos.
e com cada gota de orvalho,
desce o silêncio aos ouvidos.
Silêncio duro e pesado este,
é deveras ensurdecedor,
atinge-me como doença, peste
e bem cá dentro… a dor.
Dor de quem vive só,
de quem sorri e chora
no meio de quatro paredes,
porque, só, ... o tempo demora…
Escrito em 29/11/2002
If your love…
She discovers what she feels for you.
It feels my love that flies on you.
She lies you in your bed and thinks,
She thinks of what we already lived together.
She lives the good moments and kills the bad.
If your loves goes as much as mine…
We will forever be happy.
I love you and I will always love you.
Único poema numa língua que não domino.
Escrito em 1995
Sinal(ais) do Tempo
Teus Lábios
Quando teus lábios, meus
tocam
nesse beijo doce suave,
são eles que conotam
tudo aquilo a que o beijo
sabe.
Sabe a amor, sabe a mel,
sabe a devaneio de um louco,
sabe a tudo que quiserem,
A mim… sabe-me a pouco.
Teus lábios são macios,
envolvidos por pele sedosa,
lábios puros mas lascivos,
fazem de ti majestosa.
Escrito em 2004
Adormecer
Noites em branco sem dormir,
sonhos dispersos, a fugir.
bate o relógio sem parar,
e o sono a tardar.
Leio o livro de cabeceira,
garrafa de água ali à beira
não vá a garganta secar.
E o sono a tardar.
Abro a boca num bocejo
de um sono que não vejo,
mais uma página virada,
e de sono... não vejo nada.
Vira e torna a virar,
São voltas a mais numa cama.
Ai que calor... faz transpirar!
Abro a boca sem parar...
Esperem lá, quem me chama?
É o sono a chegar...
Junho 2005
Falta de civismo
Tâmega
Correm calmas estas águas,
Deste Tâmega atraiçoado;
Escondem murmúrios, algumas mágoas,
Deste teu apaixonado.
Teus arvoredos pelas margens,
Dão seu toque de beleza;
Seus campos, suas pastagens,
O seu quê de rareza.
A água brilha intensamente,
Pelo sol que se refresca,
Será possível haver gente,
Que ingénua, te detesta?
Teu mosteiro a S. Gonçalo,
Com sua cúpula artística;
Quem não quer saber amá-lo,
Na complexidade que tem a mística?
Ó Tâmega, maltratado és,
Mas deixa lá afinal;
Pois como vês...
O mal é de todos em geral.
Escrito em Agosto de 1996 durante umas férias com amigos em Amarante
Mulher Pecado
Mulher Pecado
Pedaço de pecado que me persegue e atormenta,
fujo sem conseguir desviar sequer o olhar
sinto teu cheiro e percorro-te olhando,
lascivo.
Tentação do pecado, demónio na terra.
Vistosa, sensual,
desfilas perante meu olhar vidrado…
Tentas-me,
seduzes-me mesmo sem o saberes.
Percorro tuas curvas iluminadas pelo brilho do sol,
e desejo-te…
Escrito em Agosto 2002
Qui es-tu?
Qui es-tu?
Comment tu
t'appelles?
C'est comme
peindre une aguarelle,
que j'ai vue.
Viens, cours pour moi,
et écoute les vagues de la mer.
Dis que je suis le dérnier,
et que je vais vivre joint à toi.
Clos les
yeux, et songe
une unique
minute, une heure,
que tu peux être heureuse.
Dis que tu m'aimes
Écoute mon coeur.
De te pendre je suis peureux.
Escrito em 1998
Escuta-me
À Lareira
Sofrimento
Alma
Solidão amiga
Respiro lentamente como em busca de calma.
Sufoco com o silêncio que imana à minha volta.
Luto ofegante contra ti, solidão imune.
Tento evitar-te, agarrar-te, controlar-te, expulsar-te...
E tu? Insistes, resistes a cada desdenho meu.
Não desisto, resisto também.
Vamos lutar mano-a-mano cada noite,
cada amanhecer que me resta.
Porquê? De certa forma fazes parte de mim
e esta luta fortalece-me.
Fortalece-nos.
Em tempos desejei-te,
supliquei para que me desses a mão.
Deste.
Agora és tu que exerces em mim tua força.
Partilho contigo tudo:
segredos, lágrimas, risos, cada palavra que escrevo.
Escutas lamentos, raivas, desabafos.
Saboreias o paladar dos cozinhados.
Assistes incrédula às danças
enquanto arrumo a casa ao som de uma música qualquer.
Opinas em silêncio sobre tudo.
E eu... escuto-te, mas acima de tudo respeito-te.
Não sei se te ame ou odeie,
mas enquanto esta luta durar somos um só,
unidos e confidentes.
Escrito em 03 de Outubro de 2005
Suspiros
Sinto-te lentamente em mim,
amordaçada e acorrentada ao meu ser.
Olhas-me com ternura e suplicas que te ame.
Suspiras.
Viras a face e ficas de perfil.
Relanças novamente o olhar,
desta vez como lanças,
e trespassas o meu intimo.
Suspiro.
Sinto-me frio, gelado.
Pairo sobre o ar, como levitando ao sabor da brisa.
Colocas tua mão amena sobre meu peito.
Lentamente como o Pôr-do-sol, desço em mim
saboreado pelo calor que brota da tua pele nua.
Desta vez sou eu que me sinto preso a ti.
Amordaçado e acorrentado ao teu ser.
Suspiras.
Suspiro.
Suspiramos ambos como num embalo de amor.
Escrito em 19/01/2006
Soneto rosa
Esse olhar brilhante e doce,
que Ilumina teu rosto ternurento,
como se aguarela em paleta fosse
pintou rosa o meu mundo cinzento.
Se este amor ocupasse espaço
e se alojasse dentro de mim,
quando te aconchego num abraço
esse amor dilata sem fim.
Ao de leve, suavemente,
um ser tão recente
ganhou tamanho valor.
E olhando-me sorridente,
sem saber, inconscientemente
transformou-se no meu AMOR.
Porquê Pai?
Sessenta segundos de cada minuto,
de cada uma das vinte e quatro horas
de todos os meus dias, penso em ti Pai.
Penso, mesmo sem sempre
saber que o faço.
Impeles-me a fazê-lo.
Cada um dos meus movimentos,
cada forma de agir e pensar,
nada mais é do que por tua vontade.
Tu eras assim.
Mas... cedo partiste.
Ainda meu corpo era franzino,
ainda meu andar não era seguro
e minha mão não tinha a força de hoje.
Dois anos apenas a meu lado e... partiste!
Partiste deixando minha mão sem a tua novamente poder sentir.
Deixaste meus passos serem dados em busca de ti,
deixaste-me todo um mundo para descobrir praticamente só.
Quem me dera poder questionar-te mil e uma coisas.
Saber o porquê das coisas.
Mas... foste. Quiseste-o assim.
Pergunto-me porquê, mas... fizeste-o!
Adoro-te Pai!
Porto, 14 Junho 2005
És. ..

És...
Tu és o fogo, és a chama,
onde me quero queimar.
És o sofá, és a cama,
onde me quero deitar.
És rainha, és princesa,
és antídoto para a tristeza,
és o farol que me ilumina
nestes caminhos da sina.
És a página do livro que gosto de ler,
és o caminho que tenho para percorrer.
És o pássaro que canta
na frescura da manhã,
és a imagem santa
no seio de um clã.
És alimento do coração,
algo doce ou talvez não.
És perfume de flor
arco-íris do amor,
és fenómeno esquisito,
estrela cadente, meteorito.
És a água da nascente,
que o sol faz brilhar,
que correndo lentamente
ao mar vai parar.
És lua, estrela,
deste mundo que criei,
és a tocha, és a vela, que já mais apagarei.
És tudo aquilo que desejo:
És mulher, és o beijo,
és verdade em que acredito,
amor eterno, infinito.
Copo meu vazio ou meio cheio?
- Porque tudo depende dos olhos de quem vê... Temos de fazer com que os nossos olhos, energia e resiliência, vejam sempre o copo meio cheio. No entanto a visão optimista de copo meio cheio pode fazer com que fiquemos realizados perdendo a oportunidade de ter o copo totalmente cheio. Quem tem a visão do copo meio vazio, diríamos que pessimista, está apenas a mostrar que quer lutar para que o copo se possa encher. Tudo na vida poderá ter duas visões, uma certa outra errada, mas quase tudo tem um lado bom e um lado mau, e até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Resta-nos fazer com que o lado bom seja sempre maior que o mau.
Desistir nem sempre é sinal de fraqueza…
A propósito da discussão em que se tornou o suposto suicídio do ator Pedro Lima e o rotulado sinal de cobardia e fraqueza tenho a dizer o seguinte. Tomar em algum momento a decisão de colocar termo à própria vida não pode ser sinal de fraqueza ou de cobardia, mas sim de uma grande coragem. Podemos questionar os motivos (ou a aparente ausência deles) e até não entender, mas cada um é que sabe o vazio em que se encontra e o que se passa na sua mente, ou talvez até seja mesmo o facto de não saber o que se passa na sua mente, no seu interior. O poço sem fundo, o túnel sem luz, o abismo em que muitas vezes as nossas cabeças e vidas se tornam podem dar a sensação e esperança de que um fim é sempre um mal menor que uma continuidade nesse deserto e escuridão. E… de um instante para o outro tomar essa decisão, e ter a coragem para decidir como o fazer, é um gesto de coragem que se torna real ao praticá-lo. Mas esse sofrimento mesmo que através de inúmeros golpes foi certamente inferior ao que sentia dentro de si. É verdade que deixou filhos que ainda precisavam dele, mas precisavam sobretudo de ter um pai bem e saudável, e não de um pai que estivesse doente, mesmo que um sorriso, brincadeira e aparente boa disposição camuflassem essa doença e o seu verdadeiro estado emocional. Não o critico pois se o fizesse estaria a criticar o meu próprio pai. O meu pai que com um filho de dois anos, entendeu que não conseguiria aguentar a vida, o vazio e o sofrimento que tinha e sentia dentro de si. Fez-me falta? Muita, e ainda faz. Gostava de o ter aqui e abraçar? Era o que mais desejava na vida. Mas sei que fez, infelizmente, o que tinha de fazer para se libertar…e quem cá fica continua a viver a vida, poderá não ser da mesma forma, mas continua. Não os considero fracos, ou cobardes, mas sim pessoas que tiveram a coragem de assumir que desistiram… de vez.



























