Anjo Sol

Norteio-me em busca do caminho, descalço,
tateio com a ponta dos pés o cascalho solto.
Sinto na pele nua o piso gélido, agreste e revolto,
mas continuo seguindo calmamente ao teu encalço.
Vejo-te em sombras na neblina distante,
e com respiração ofegante acelero o passo.
Tento alcançar-te ali, mais adiante...
Mas... tropeço... e fracasso.
Ergo-me decidido a não desistir de ti.
O meu olhar percorre a penumbra
deste local onde cansado caí,
e de ti agora já nada vislumbra.
Onde estás? Onde estás tu meu anjo sol?
Que caminho escuro e sem mim, trilhas?
Vou seguir-te... ilumina-o como farol
sei que consegues, porque tu.... brilhas...

Abril 2026
A vida é assim: é necessário lutar contra as dificuldades, contornar obstáculos, e mesmo que o caminho não seja o ideal, supera-o. Há que passar por entre os pingos de chuva e se não for possível, molha-te e aproveita o fresco da chuva para lavar a alma. Passa pelas frinchas e busca o sol que ilumina o teu caminho, te aquece e te faz viver. 

Sofia rima com Alegria

Sofia de sorriso fácil
e emoção em ponto de ebulição
Menina de corpo ágil
e muito amor no coração.

Pulguita saltitante
com vontade e gosto de aprender
Sempre atenta mesmo distante
é só perguntar para responder.

Uma etapa está a terminar
Novo ciclo vem já a caminho
Passo a passo irás estudar
de nós terás apoio, amor e carinho.

Sofia rima com alegria
para nós rima com amor
Que tenhas sempre sabedoria
e dizer "obrigado" e "por favor".

Junho 2022
Poema para integrar o Livro de Finalistas da Sofia do Pré-escolar 

Incessante caminho escuro

Incessante caminho escuro

De pedra e cascalho solto

Olho para trás, não volto

Sigo em frente até um muro

 

Tamanho esforço até ao momento

E deparando-me com esta barreira

Preciso de algo como alento

ou de repouso numa esteira?

 

A vida segue-se em frente

Sem lhe desviar o olhar

Porque um dia de repente

o último suspiro irei dar.

 

Aproveito então o caminho

Seguindo ao sabor da maré

De mão dada à Nazaré

Pois assim não vou sozinho


Maio 2022




Temos desempregados e temos trabalho para muitos deles...

 

Retomo a minha atividade neste blog com um esquisso  sobre um tema atual. 

Realizou-se em Albufeira à dias atrás o 32º Congresso de Hotelaria e Turismo, reforçando este setor como fundamental para a economia do nosso país. Foi lançado o tema da dificuldade de captar trabalhadores para estas áreas sendo que o setor estima uma necessidade de cerca de mais 15mil trabalhadores. Pasmem-se que o setor está a estudar a possibilidade de recrutar trabalhadores a Cabo Verde e Filipinas e o nosso ministério do trabalho está a estudar a forma de o fazer.

Então vamos lá refletir em conjunto…

Somos um país que tem, segundo o INE, em Setembro de 2021 uma taxa de desemprego de 6,4% com cerca de 318 mil desempregados. Ou seja, temos 318 mil pessoas em idade ativa para trabalhar e que estarão na grande maioria a receber subsidio de desemprego e/ou outro apoio pela falta de rendimentos. O setor oferece 15 mil postos de trabalho e tem de ir procurar fora do país? A realidade é que para a maioria dos desempregados nacionais compensará ficar em casa sem trabalhar e auferir destas prestações sociais sem qualquer responsabilidade. Não teria o governo a obrigação de regular estas prestações para que os seus beneficiários tivessem que prestar colaboração (nem que fosse a tempo parcial) numa instituição, numa repartição do estado, num município… retribuindo à sociedade parte do que a sociedade lhes dá? Por esta ausência de obrigações é que há a dificuldade de empregar  em especial neste setor que por natureza é trabalho sazonal e tem salários baixos. Não seria preferível que o setor recebesse uma parcela destas prestações e empregasse com um salário mais apetecível? Teríamos certamente menos desempregados, menos beneficiários de prestações sociais, o estado reduziria a despesa e não tínhamos trazer mão de obra do estrangeiro.

Poesia

Esta forma de exprimir

Sentimentos adversos,

Não conseguindo eu fugir

Maioritariamente fazê-lo em versos.


São palavras que rimam,

Nesta forma de pensar,

Não é aquilo que imaginam

Conseguir fazê-las rimar.


Do coração saem sentimentos

Da mão a tremida escrita,

Do cérebro o pensamento

Daquilo em que se acredita.


Estes versos que se escrevem,

Para aliviar o coração,

São linhas que outros temem

Por lerem “verdades... ou não”.


Escrito no Outono de 1997

Covid 19

 

Ai este Covid 19,
Pandemia silenciosa
que apressadamente se move
espalhando-se lutuosa.
Mascaradamente protegido,
distanciamento social
e este sorriso sumido
por um tempo sem igual.
Expedito a desinfectar
quanto tocar com a mão
estico o cotovelo no ar
aperto de mão é que não.
Pausaste o planeta
fazendo-o respirar de novo
longe ainda de uma meta
suficiente para seu povo.
Uma vaga, duas vagas...
o que importa afinal?
A saúde que esmagas
ou economia mundial?

13/09/2020

O Amor

 

O amor,

é algo que dói, sem se querer ter dor,

é algo que nos faz sonhar,

é algo que nos faz acordar.

 

O amor,

é algo que dói, sem se querer ter dor,

é algo que nos faz sofrer,

faz-nos pensar que de saudades vamos morrer.

 

O amor,

é algo que dói, sem se querer ter dor,

é algo que nos apoquenta,

é algo que por vezes, não se aguenta.

 

O amor,

é algo que dói, sem se querer ter dor,

mas não tem só este tom,

o amor…também é bom!


Escrito em 2000

Mundo irrequieto

 


Muitas voltas dá o mundo.

Quando irá ele parar?

Daqui a uma hora, um segundo,

ou quando o sol acabar?

Que futuro nos espera?

Que solução a encontrar,

para esta bola, esta esfera

que não pára de girar?

São coisas que são e depois não são,

são coisas que aparecem e desaparecem,

são pessoas que morrem

e outras que nascem.

São pássaros que voam,

são as águas que correm,

são as nossas vozes que entoam

e... que de rouquidão morrem.

Não pára este irrequieto!

Não pára um segundo.

É agitado não pára quieto.

Para onde vais tu, meu mundo?

 

Escrito em 1996

Além

 


Movimentada esta vida!

Feita de momentos atarefados,

em que cada segundo

parece de um minuto sem saída.

 

Já se está de partida

após instantes passados.

Irrequieto este mundo,

Para onde será sua ida?

 

E nós que o percorremos,

vinte e quatro horas sem fim,

para onde iremos também?

 

Será até morrermos?

Haverá outro mundo assim?

O que existirá no Além?

 

Escrito em 4 de Julho de 2005

Cai a noite

Cai a noite,

vai-se o sol e surge a lua,

e com esta sombra nocturna,

a minha vida fica nua...

 

Despida de trabalho,

despida de colegas e amigos.

e com cada gota de orvalho,

desce o silêncio aos ouvidos.

 

Silêncio duro e pesado este,

é deveras ensurdecedor,

atinge-me como doença, peste

e bem cá dentro… a dor.

 

Dor de quem vive só,

de quem sorri e chora

no meio de quatro paredes,

porque, só, ... o tempo demora…


Escrito em 29/11/2002



If your love…

 She discovers what she feels for you.

It feels my love that flies on you.

She lies you in your bed and thinks,

She thinks of what we already lived together.

She lives the good moments and kills the bad.

If your loves goes as much as mine…

We will forever be happy.

I love you and I will always love you.

 

Único poema numa língua que não domino.
Escrito em 1995    

Sinal(ais) do Tempo


    Este sinal significa muito e vou usar esta imagem para transmitir um pensamento. Esta imagem é o reflexo do que pode acontecer em qualquer pessoa, qualquer máquina, qualquer estrutura ou simplesmente a um qualquer sinal de trânsito se nos esquecermos de os manter em boas condições. No caso do nosso corpo as consequências são óbvias, em que a falta de manutenção faz-nos envelhecer mais cedo e a entropia torna-se muito presente nas tarefas diárias. Também numa máquina, seja o nosso automóvel ou qualquer outra, a manutenção preventiva faz com que todo o mecanismo funcione devidamente lubrificado e de forma sincrona aumentando a sua durabilidade e eficiência. Não pode ser diferente nas estruturas, seja a nossa casa, seja o passeio da rua, seja um simples sinal de trânsito. Cabe a cada um manter o seu corpo, a sua mente, as suas máquinas e as suas estruturas em pleno estado de conservação e uso. Vemos frequentemente o desleixo causado pela falta de manutenção, nomeadamente ao nível do poder central e local. Quando, a título de exemplo, o estado cria uma infraestrutura deveria prever no seus orçamentos anuais, verbas que prevejam manter convenientemente essas estruturas. De que vale inaugurar uma ponte se uma ou duas décadas depois pode ruir por falta de manutenção? Ok.. dirão que durante aqule período serviu muita gente... concordo... Mas não ficará muito mais oneroso construir uma ponte nova ou eventualmente indeminizar e lamentar a perca de vidas humanas com a sua queda? Estes exemplos são válidos para o que queiram pensar sobre manutenção e sem querer aqui referir situações concretas que seriam muito facilmente encontradas. Quanto a este sinal, não sendo o objetivo deste meu esquisso, espero que a sua falta de manutenção não cause danos colaterais e a superfície comercial onde está inserido ou a autoridade competente procedam à sua pintura ou substituição. 
Mantenham-se...

Teus Lábios

Quando teus lábios, meus tocam

nesse beijo doce suave,

são eles que conotam

tudo aquilo a que o beijo sabe.

Sabe a amor, sabe a mel,

sabe a devaneio de um louco,

sabe a tudo que quiserem,

A mim… sabe-me a pouco.

Teus lábios são macios,

envolvidos por pele sedosa,

lábios puros mas lascivos,

fazem de ti majestosa.

 

Escrito em 2004


Adormecer


Noites em branco sem dormir,

sonhos dispersos, a fugir.

bate o relógio sem parar,

e o sono a tardar.

 

Leio o livro de cabeceira,

garrafa de água ali à beira

não vá a garganta secar.

E o sono a tardar.

 

Abro a boca num bocejo

de um sono que não vejo,

mais uma página virada,

e de sono... não vejo nada.

 

Vira e torna a virar,

São voltas a mais numa cama.

Ai que calor... faz transpirar!

 

Abro a boca sem parar...

Esperem lá, quem me chama?

É o sono a chegar...

 

Junho 2005


Falta de civismo




Hoje na corrida matinal habitual, deparei-me com um triste cenário de vandalismo e falta de civismo. Ao longo de cerca de 200metros na ecovia litoral em Cepães, Esposende, junto à praia, encontrei um cenário de destruição das barreiras de proteção do passadiço da ecovia recentemente construída. O ato de malvadez pura, com que alguém conseguiu destruir a construção de madeira maciça só pode ser fruto de fortes distúrbios mentais e de falta de ocupação a que certamente a ausência de discotecas por causa da pandemia terá um forte peso. Frequentemente vemos grupos de jovens que vagueiam pela noite com garrafas na mão "curtindo" as férias. Infelizmente os valores de outrora perdem-se e a nossa juventude não consegue ter a noção de preservar o património que é construído em prol de todos com o dinheiro de todos e cuja manutenção necessária por atos de vandalismo será onerosa para todos. 








Tâmega

Correm calmas estas águas,

Deste Tâmega atraiçoado;

Escondem murmúrios, algumas mágoas,

Deste teu apaixonado.

 

Teus arvoredos pelas margens,

Dão seu toque de beleza;

Seus campos, suas pastagens,

O seu quê de rareza.

 

A água brilha intensamente,

Pelo sol que se refresca,

Será possível haver gente,

Que ingénua, te detesta?

 

Teu mosteiro a S. Gonçalo,

Com sua cúpula artística;

Quem não quer saber amá-lo,

Na complexidade que tem a mística?

 

Ó Tâmega, maltratado és,

Mas deixa lá afinal;

Pois como vês...

O mal é de todos em geral.

 

Escrito em Agosto de 1996 durante umas férias com amigos em Amarante



Mulher Pecado

Mulher Pecado

Pedaço de pecado que me persegue e atormenta,
fujo sem conseguir desviar sequer o olhar
sinto teu cheiro e percorro-te olhando,
lascivo.
Tentação do pecado, demónio na terra.
Vistosa, sensual,
desfilas perante meu olhar vidrado…
Tentas-me,
seduzes-me mesmo sem o saberes.
Percorro tuas curvas iluminadas pelo brilho do sol,
e desejo-te…

Escrito em Agosto 2002


Qui es-tu?

Qui es-tu?

Comment tu t'appelles?

C'est comme peindre une aguarelle,

que j'ai vue.

 

Viens, cours pour moi,

et écoute les vagues de la mer.

Dis que je suis le dérnier,

et que je vais vivre joint à toi.

 

Clos les yeux, et songe

une unique minute, une heure,

que tu peux être heureuse.

 

Dis que tu m'aimes

Écoute mon coeur.

De te pendre je suis peureux.

 

Escrito em 1998 


Escuta-me

Sim, tu que me olhas e ouves, escuta-me… 
Escuta-me mesmo que a minha boca não se abra.
Escuta-me mesmo que minhas cordas vocais
não oscilem…
Presta atenção ao que te digo com o olhar,
com a expressão, com o ritmo da respiração,
com o franzir de testa. 
Enfim, com tudo o que te digo, mudo.
Se me escutares, ouves-me,
mas nem sempre que me ouves escutas.
Vasculha o meu ser, o meu intimo, percorre-o todo
sem medos ou receios, e nele encontrarás o que buscas.
Sente, presente até, mas escuta-me,
nem que seja por um só instante.

Porto, 19 Maio de 2005

À Lareira

Lareira acesa e o calor espalha-se entre nós.
Nossos corações palpitam de amor e desejo e nossas veias
percorrem o corpo como estradas de sangue em fogo.
Os dedos de duas mãos entrelaçam-se ficando outras duas
que percorrem os corpos nus.
Teus lábios percorrem meu corpo e o calor que há em mim
faz parecer gelado o fogo que dança na lareira.
Um arrepio percorre-me a espinha e estremeço.
Sinto-te. Sinto em mim teus lábios, sinto cada beijo 
como se fosse por uma eternidade.
Acaricias meu corpo e percorres cada centímetro
como em busca de algo que teimas em não encontrar.
Ei-lo, sente-o como fonte de calor, desejo e prazer.
Desfruta-o, como vulcão em fogo preparado para a erupção final.
Hum! Como é bom.
Nossos corpos húmidos de suor, tremem de prazer.
Nossos braços entrelaçam-nos um ao outro… e beijo tua testa.
Ambos repousamos as cabeças e sentimos a lenha estalar 
como aplausos de plateia após um “Final Feliz”.

Escrito em 17 Janeiro 2005

Sofrimento

Ardor, prurido,
Comichão sem sentido.
Ferida aberta, invisível
deste corpo sofrido.
Sentimento palpável,
percorrendo a epiderme,
brota pelos poros e escorre,
como lava indesejável.
Rio de fogo, ardente,
que me consome, destrói,
devagar, como quem mói,
lentamente.

Escrito em 31 Maio 2005

Alma


No silêncio e escuridão vive nossa alma sobressaltada.
Alma essa aprisionada dentro de um corpo estranho,
que não é mais que um invólucro baço
que esconde a luz que tenta penetrar por nossos poros,
beijá-la, e dizer-lhe baixinho:
– Estou aqui para te iluminar.
Alma, que te vai lá dentro? Desejo de escapulir,
viver o mundo mais além, por de trás desses poros
que te fazem ver o mundo através de orifícios minúsculos?
Tornares-te tu própria matéria palpável, real,
sentida ao tacto de um outro invólucro?
Solta-te, evade-te, mostra-te, grita com força a tua presença.
Para que um dia, após a morte desse corpo que te envolve
não paires tu como alma penada.

Porto, 20 de Maio de 2005

Solidão amiga

Respiro lentamente como em busca de calma.
Sufoco com o silêncio que imana à minha volta.
Luto ofegante contra ti, solidão imune.
Tento evitar-te, agarrar-te, controlar-te, expulsar-te...
E tu? Insistes, resistes a cada desdenho meu.
Não desisto, resisto também.
Vamos lutar mano-a-mano cada noite,
cada amanhecer que me resta.
Porquê? De certa forma fazes parte de mim
e esta luta fortalece-me.
Fortalece-nos.
Em tempos desejei-te,
supliquei para que me desses a mão.
Deste.
Agora és tu que exerces em mim tua força.
Partilho contigo tudo:
segredos, lágrimas, risos, cada palavra que escrevo.
Escutas lamentos, raivas, desabafos.
Saboreias o paladar dos cozinhados.
Assistes incrédula às danças
enquanto arrumo a casa ao som de uma música qualquer.
Opinas em silêncio sobre tudo.
E eu... escuto-te, mas acima de tudo respeito-te.
Não sei se te ame ou odeie,
mas enquanto esta luta durar somos um só,
unidos e confidentes.

Escrito em 03 de Outubro de 2005

Suspiros

Sinto-te lentamente em mim,

amordaçada e acorrentada ao meu ser.

Olhas-me com ternura e suplicas que te ame.

Suspiras.

Viras a face e ficas de perfil.

Relanças novamente o olhar,

desta vez como lanças,

e trespassas o meu intimo.

Suspiro.

Sinto-me frio, gelado.

Pairo sobre o ar, como levitando ao sabor da brisa.

Colocas tua mão amena sobre meu peito.

Lentamente como o Pôr-do-sol, desço em mim

saboreado pelo calor que brota da tua pele nua.

Desta vez sou eu que me sinto preso a ti.

Amordaçado e acorrentado ao teu ser.

Suspiras.

Suspiro.

Suspiramos ambos como num embalo de amor.


Escrito em 19/01/2006

Soneto rosa

Esse olhar brilhante e doce,
que Ilumina teu rosto ternurento,
como se aguarela em paleta fosse
pintou rosa o meu mundo cinzento.

Se este amor ocupasse espaço
e se alojasse dentro de mim,
quando te aconchego num abraço
esse amor dilata sem fim.

Ao de leve, suavemente,
um ser tão recente
ganhou tamanho valor.

E olhando-me sorridente,
sem saber, inconscientemente
transformou-se no meu AMOR.



Porquê Pai?

Sessenta segundos de cada minuto,
de cada uma das vinte e quatro horas
de todos os meus dias, penso em ti Pai.
Penso, mesmo sem sempre
saber que o faço.
Impeles-me a fazê-lo.
Cada um dos meus movimentos,
cada forma de agir e pensar,
nada mais é do que por tua vontade.
Tu eras assim.
Mas... cedo partiste.
Ainda meu corpo era franzino,
ainda meu andar não era seguro
e minha mão não tinha a força de hoje.
Dois anos apenas a meu lado e... partiste!
Partiste deixando minha mão sem a tua novamente poder sentir.
Deixaste meus passos serem dados em busca de ti,
deixaste-me todo um mundo para descobrir praticamente só.
Quem me dera poder questionar-te mil e uma coisas.
Saber o porquê das coisas.
Mas... foste. Quiseste-o assim.
Pergunto-me porquê, mas... fizeste-o!
Adoro-te Pai!

Porto, 14 Junho 2005

És. ..

És...

Tu és o fogo, és a chama,

onde me quero queimar.

És o sofá, és a cama,

onde me quero deitar.

És rainha, és princesa,

és antídoto para a tristeza,

és o farol que me ilumina

nestes caminhos da sina.

És a página do livro que gosto de ler,

és o caminho que tenho para percorrer.

És o pássaro que canta

na frescura da manhã,

és a imagem santa

no seio de um clã.

És alimento do coração,

algo doce ou talvez não.

És perfume de flor

arco-íris do amor,

és fenómeno esquisito,

estrela cadente, meteorito.

És a água da nascente,

que o sol faz brilhar,

que correndo lentamente

ao mar vai parar.

És lua, estrela,

deste mundo que criei,

és a tocha, és a vela, que já mais apagarei.

És tudo aquilo que desejo:

És mulher, és o beijo,

és verdade em que acredito,

amor eterno, infinito.

Copo meu vazio ou meio cheio?

  • Porque tudo depende dos olhos de quem vê... Temos de fazer com que os nossos olhos, energia e resiliência, vejam sempre o copo meio cheio. No entanto a visão optimista de copo meio cheio pode fazer com que fiquemos realizados perdendo a oportunidade de ter o copo totalmente cheio. Quem tem a visão do copo meio vazio, diríamos que pessimista, está apenas a mostrar que quer lutar para que o copo se possa encher. Tudo na vida poderá ter duas visões, uma certa outra errada, mas quase tudo tem um lado bom e um lado mau, e até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Resta-nos fazer com que o lado bom seja sempre maior que o mau.


Desistir nem sempre é sinal de fraqueza…

Desistir nem sempre é sinal de fraqueza…

A propósito da discussão em que se tornou o suposto suicídio do ator Pedro Lima e o rotulado sinal de cobardia e fraqueza tenho a dizer o seguinte. Tomar em algum momento a decisão de colocar termo à própria vida não pode ser sinal de fraqueza ou de cobardia, mas sim de uma grande coragem. Podemos questionar os motivos (ou a aparente ausência deles) e até não entender, mas cada um é que sabe o vazio em que se encontra e o que se passa na sua mente, ou talvez até seja mesmo o facto de não saber o que se passa na sua mente, no seu interior. O poço sem fundo, o túnel sem luz, o abismo em que muitas vezes as nossas cabeças e vidas se tornam podem dar a sensação e esperança de que um fim é sempre  um mal menor que uma continuidade nesse deserto e escuridão. E… de um instante para o outro tomar essa decisão, e ter a coragem para decidir como o fazer, é um gesto de coragem que se torna real ao praticá-lo. Mas esse sofrimento mesmo que através de inúmeros golpes foi certamente inferior ao que sentia dentro de si. É verdade que deixou filhos que ainda precisavam dele, mas precisavam sobretudo de ter um pai bem e saudável, e não de um pai que estivesse doente, mesmo que um sorriso, brincadeira e aparente boa disposição camuflassem essa doença e o seu verdadeiro estado emocional. Não o critico pois se o fizesse estaria a criticar o meu próprio pai. O meu pai que com um filho de dois anos, entendeu que não conseguiria aguentar a vida, o vazio e o sofrimento que tinha e sentia dentro de si. Fez-me falta? Muita, e ainda faz. Gostava de o ter aqui e abraçar? Era o que mais desejava na vida. Mas sei que fez, infelizmente, o que tinha de fazer para se libertar…e quem cá fica continua a viver a vida, poderá não ser da mesma forma, mas continua. Não os considero fracos, ou cobardes, mas sim pessoas que tiveram a coragem de assumir que desistiram… de vez.