És... de SER (como pessoa), és de EStro (a minha poesia), de ESquisso (esboços dos meus pensamentos), de EStampa (as minhas fotografias) e obviamente...És de ESposende (a terra que me acolheu)
Falta de civismo
Tâmega
Correm calmas estas águas,
Deste Tâmega atraiçoado;
Escondem murmúrios, algumas mágoas,
Deste teu apaixonado.
Teus arvoredos pelas margens,
Dão seu toque de beleza;
Seus campos, suas pastagens,
O seu quê de rareza.
A água brilha intensamente,
Pelo sol que se refresca,
Será possível haver gente,
Que ingénua, te detesta?
Teu mosteiro a S. Gonçalo,
Com sua cúpula artística;
Quem não quer saber amá-lo,
Na complexidade que tem a mística?
Ó Tâmega, maltratado és,
Mas deixa lá afinal;
Pois como vês...
O mal é de todos em geral.
Escrito em Agosto de 1996 durante umas férias com amigos em Amarante
Mulher Pecado
Mulher Pecado
Pedaço de pecado que me persegue e atormenta,
fujo sem conseguir desviar sequer o olhar
sinto teu cheiro e percorro-te olhando,
lascivo.
Tentação do pecado, demónio na terra.
Vistosa, sensual,
desfilas perante meu olhar vidrado…
Tentas-me,
seduzes-me mesmo sem o saberes.
Percorro tuas curvas iluminadas pelo brilho do sol,
e desejo-te…
Escrito em Agosto 2002
Qui es-tu?
Qui es-tu?
Comment tu
t'appelles?
C'est comme
peindre une aguarelle,
que j'ai vue.
Viens, cours pour moi,
et écoute les vagues de la mer.
Dis que je suis le dérnier,
et que je vais vivre joint à toi.
Clos les
yeux, et songe
une unique
minute, une heure,
que tu peux être heureuse.
Dis que tu m'aimes
Écoute mon coeur.
De te pendre je suis peureux.
Escrito em 1998
Escuta-me
À Lareira
Sofrimento
Alma
Solidão amiga
Respiro lentamente como em busca de calma.
Sufoco com o silêncio que imana à minha volta.
Luto ofegante contra ti, solidão imune.
Tento evitar-te, agarrar-te, controlar-te, expulsar-te...
E tu? Insistes, resistes a cada desdenho meu.
Não desisto, resisto também.
Vamos lutar mano-a-mano cada noite,
cada amanhecer que me resta.
Porquê? De certa forma fazes parte de mim
e esta luta fortalece-me.
Fortalece-nos.
Em tempos desejei-te,
supliquei para que me desses a mão.
Deste.
Agora és tu que exerces em mim tua força.
Partilho contigo tudo:
segredos, lágrimas, risos, cada palavra que escrevo.
Escutas lamentos, raivas, desabafos.
Saboreias o paladar dos cozinhados.
Assistes incrédula às danças
enquanto arrumo a casa ao som de uma música qualquer.
Opinas em silêncio sobre tudo.
E eu... escuto-te, mas acima de tudo respeito-te.
Não sei se te ame ou odeie,
mas enquanto esta luta durar somos um só,
unidos e confidentes.
Escrito em 03 de Outubro de 2005
Suspiros
Sinto-te lentamente em mim,
amordaçada e acorrentada ao meu ser.
Olhas-me com ternura e suplicas que te ame.
Suspiras.
Viras a face e ficas de perfil.
Relanças novamente o olhar,
desta vez como lanças,
e trespassas o meu intimo.
Suspiro.
Sinto-me frio, gelado.
Pairo sobre o ar, como levitando ao sabor da brisa.
Colocas tua mão amena sobre meu peito.
Lentamente como o Pôr-do-sol, desço em mim
saboreado pelo calor que brota da tua pele nua.
Desta vez sou eu que me sinto preso a ti.
Amordaçado e acorrentado ao teu ser.
Suspiras.
Suspiro.
Suspiramos ambos como num embalo de amor.
Escrito em 19/01/2006

















