No silêncio e escuridão vive nossa alma sobressaltada.
Alma essa aprisionada dentro de um corpo estranho,
que não é mais que um invólucro baço
que esconde a luz que tenta penetrar por nossos poros,
beijá-la, e dizer-lhe baixinho:
– Estou aqui para te iluminar.
Alma, que te vai lá dentro? Desejo de escapulir,
viver o mundo mais além, por de trás desses poros
que te fazem ver o mundo através de orifícios minúsculos?
Tornares-te tu própria matéria palpável, real,
sentida ao tacto de um outro invólucro?
Solta-te, evade-te, mostra-te, grita com força a tua presença.
Para que um dia, após a morte desse corpo que te envolve
não paires tu como alma penada.
Porto, 20 de Maio de 2005
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