Respiro lentamente como em busca de calma.
Sufoco com o silêncio que imana à minha volta.
Luto ofegante contra ti, solidão imune.
Tento evitar-te, agarrar-te, controlar-te, expulsar-te...
E tu? Insistes, resistes a cada desdenho meu.
Não desisto, resisto também.
Vamos lutar mano-a-mano cada noite,
cada amanhecer que me resta.
Porquê? De certa forma fazes parte de mim
e esta luta fortalece-me.
Fortalece-nos.
Em tempos desejei-te,
supliquei para que me desses a mão.
Deste.
Agora és tu que exerces em mim tua força.
Partilho contigo tudo:
segredos, lágrimas, risos, cada palavra que escrevo.
Escutas lamentos, raivas, desabafos.
Saboreias o paladar dos cozinhados.
Assistes incrédula às danças
enquanto arrumo a casa ao som de uma música qualquer.
Opinas em silêncio sobre tudo.
E eu... escuto-te, mas acima de tudo respeito-te.
Não sei se te ame ou odeie,
mas enquanto esta luta durar somos um só,
unidos e confidentes.
Escrito em 03 de Outubro de 2005
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