Sinto-te lentamente em mim,
amordaçada e acorrentada ao meu ser.
Olhas-me com ternura e suplicas que te ame.
Suspiras.
Viras a face e ficas de perfil.
Relanças novamente o olhar,
desta vez como lanças,
e trespassas o meu intimo.
Suspiro.
Sinto-me frio, gelado.
Pairo sobre o ar, como levitando ao sabor da brisa.
Colocas tua mão amena sobre meu peito.
Lentamente como o Pôr-do-sol, desço em mim
saboreado pelo calor que brota da tua pele nua.
Desta vez sou eu que me sinto preso a ti.
Amordaçado e acorrentado ao teu ser.
Suspiras.
Suspiro.
Suspiramos ambos como num embalo de amor.
Escrito em 19/01/2006
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