Soneto rosa

Esse olhar brilhante e doce,
que Ilumina teu rosto ternurento,
como se aguarela em paleta fosse
pintou rosa o meu mundo cinzento.

Se este amor ocupasse espaço
e se alojasse dentro de mim,
quando te aconchego num abraço
esse amor dilata sem fim.

Ao de leve, suavemente,
um ser tão recente
ganhou tamanho valor.

E olhando-me sorridente,
sem saber, inconscientemente
transformou-se no meu AMOR.



Porquê Pai?

Sessenta segundos de cada minuto,
de cada uma das vinte e quatro horas
de todos os meus dias, penso em ti Pai.
Penso, mesmo sem sempre
saber que o faço.
Impeles-me a fazê-lo.
Cada um dos meus movimentos,
cada forma de agir e pensar,
nada mais é do que por tua vontade.
Tu eras assim.
Mas... cedo partiste.
Ainda meu corpo era franzino,
ainda meu andar não era seguro
e minha mão não tinha a força de hoje.
Dois anos apenas a meu lado e... partiste!
Partiste deixando minha mão sem a tua novamente poder sentir.
Deixaste meus passos serem dados em busca de ti,
deixaste-me todo um mundo para descobrir praticamente só.
Quem me dera poder questionar-te mil e uma coisas.
Saber o porquê das coisas.
Mas... foste. Quiseste-o assim.
Pergunto-me porquê, mas... fizeste-o!
Adoro-te Pai!

Porto, 14 Junho 2005

És. ..

És...

Tu és o fogo, és a chama,

onde me quero queimar.

És o sofá, és a cama,

onde me quero deitar.

És rainha, és princesa,

és antídoto para a tristeza,

és o farol que me ilumina

nestes caminhos da sina.

És a página do livro que gosto de ler,

és o caminho que tenho para percorrer.

És o pássaro que canta

na frescura da manhã,

és a imagem santa

no seio de um clã.

És alimento do coração,

algo doce ou talvez não.

És perfume de flor

arco-íris do amor,

és fenómeno esquisito,

estrela cadente, meteorito.

És a água da nascente,

que o sol faz brilhar,

que correndo lentamente

ao mar vai parar.

És lua, estrela,

deste mundo que criei,

és a tocha, és a vela, que já mais apagarei.

És tudo aquilo que desejo:

És mulher, és o beijo,

és verdade em que acredito,

amor eterno, infinito.

Copo meu vazio ou meio cheio?

  • Porque tudo depende dos olhos de quem vê... Temos de fazer com que os nossos olhos, energia e resiliência, vejam sempre o copo meio cheio. No entanto a visão optimista de copo meio cheio pode fazer com que fiquemos realizados perdendo a oportunidade de ter o copo totalmente cheio. Quem tem a visão do copo meio vazio, diríamos que pessimista, está apenas a mostrar que quer lutar para que o copo se possa encher. Tudo na vida poderá ter duas visões, uma certa outra errada, mas quase tudo tem um lado bom e um lado mau, e até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Resta-nos fazer com que o lado bom seja sempre maior que o mau.


Desistir nem sempre é sinal de fraqueza…

Desistir nem sempre é sinal de fraqueza…

A propósito da discussão em que se tornou o suposto suicídio do ator Pedro Lima e o rotulado sinal de cobardia e fraqueza tenho a dizer o seguinte. Tomar em algum momento a decisão de colocar termo à própria vida não pode ser sinal de fraqueza ou de cobardia, mas sim de uma grande coragem. Podemos questionar os motivos (ou a aparente ausência deles) e até não entender, mas cada um é que sabe o vazio em que se encontra e o que se passa na sua mente, ou talvez até seja mesmo o facto de não saber o que se passa na sua mente, no seu interior. O poço sem fundo, o túnel sem luz, o abismo em que muitas vezes as nossas cabeças e vidas se tornam podem dar a sensação e esperança de que um fim é sempre  um mal menor que uma continuidade nesse deserto e escuridão. E… de um instante para o outro tomar essa decisão, e ter a coragem para decidir como o fazer, é um gesto de coragem que se torna real ao praticá-lo. Mas esse sofrimento mesmo que através de inúmeros golpes foi certamente inferior ao que sentia dentro de si. É verdade que deixou filhos que ainda precisavam dele, mas precisavam sobretudo de ter um pai bem e saudável, e não de um pai que estivesse doente, mesmo que um sorriso, brincadeira e aparente boa disposição camuflassem essa doença e o seu verdadeiro estado emocional. Não o critico pois se o fizesse estaria a criticar o meu próprio pai. O meu pai que com um filho de dois anos, entendeu que não conseguiria aguentar a vida, o vazio e o sofrimento que tinha e sentia dentro de si. Fez-me falta? Muita, e ainda faz. Gostava de o ter aqui e abraçar? Era o que mais desejava na vida. Mas sei que fez, infelizmente, o que tinha de fazer para se libertar…e quem cá fica continua a viver a vida, poderá não ser da mesma forma, mas continua. Não os considero fracos, ou cobardes, mas sim pessoas que tiveram a coragem de assumir que desistiram… de vez.